quarta-feira, 1 de julho de 2009

Jovens Filósofos na Univ.Júnior

Oficina Jovens Filósofos
29 de Junho a 24 de Julho
Universidade do Porto / Universidade Júnior

Aula 3 (13 alunos)

Procurar uma definição: O que é influenciar?

Após um breve debate em que a turma se apresentou procurámos, através de um pequeno jogo, encontrar uma característica definidora de cada um dos alunos. O objectivo deste exercício era que a partir destas características particulares chegássemos a conceitos filosóficos mais gerais com o intuito de se escolher um deles para se problematizar e definir.
Em seguida, para cada uma das características pessoais encontradas efectuava-se uma ronda de perguntas filosóficas (“não particulares, mas gerais e abstractas”).
Depois de ouvir todas as perguntas (forma de trabalhar a concentração de cada um) o aluno caracterizado escolhia uma das perguntas.

1 - Característica: Influenciadora_Pergunta: “O que é influenciar?”

2 – Característica: Bonita por dentro_Pergunta: “Quem define a Beleza?”

3 – Característica: Generosa_Pergunta: “Até que nível se pode ser generosa?”

4 – Característica: Influenciável_Pergunta: “Quando é que é bom ser influenciado?
5 – Característica: Expressivo_Pergunta: “Como é que se faz arte?”


Por votação escolheu-se a pergunta 1) para iniciar o debate filosófico.

“O que é influenciar?”

a) Hipóteses para pensar
persuadir;
convencer;
obrigar;
criar um desejo;
criar uma vontade;
convencer inconscientemente;
ser activo


b) Escolha de um Conceito para investigar: persuasão
Pergunta – “Influenciar é persuadir?”

Ruben (13 anos) – “Não. Posso querer usar um boné porque vi algué que não conheço na rua com um igual. Essa pessoa influenciou-me sem me persuadir.”

Nesta altura compreendemos que precisávamos de aprofundar a nossa noção de influência. Para isso procuraram-se novos conceitos para nos ajudarem

c) Novos conceitos encontrados

Vasco (13 anos) – “Há dois tipos de influência. A persuasão, que é directa e consciente e outra que é indirecta e inconsciente.”

Pergunta – “Como podemos chamar a esse segundo tipo de influência?”

André (13 anos) – “ Inadvertividade” (conceito encontrado para clarificar a questão da influência indirecta e inconsciente).

O grupo chegou então à conclusão que existem dois tipos de influência.
1) A influência persuasiva, que é directa e consciente.
2) A influência inadvertida, que é indirecta e inconsciente.


Pergunta – “Quem me influencia sem saber que me influencia está inconsciente?”

Discutimos os conceitos de consciência, inconsciência e subconsciência e procuramos defini-los. O grupo escolheu consensualmente o novo conceito “não-consciente” para substituir “inconsciente” na definição de influência inadvertida.

Vasco – “Quem nos influencia inadvertidamente não está inconsciente, só não está consciente que está a influenciar”

André – “Está consciente, só não tem é consciência de que me influencia. Não tem intenção

Por sugestão do André mudámos os conceitos de "consciência" e de "não-consciente" para intenção e não-intenção.

Pergunta – “Que conceito define melhor a influência persuasiva: a consciência ou a intencionalidade?”

Grupo – “Intencionalidade”.

Pergunta – “Porquê?”

Rui (15 anos) – “Consciência é mais geral. Intencionalidade é um tipo de consciência.”

Por esta altura já íamos com quase 4 horas de discussão, mas nenhum dos alunos mostrava sinais de querer parar. Este tipo de resistência às horas seria completamente impossível numa aula comum onde o que se pede dos alunos é que assimilem passivamente os conteúdos dados pelo professor. Numa sessão de Filosofia Prática, desde o primeiro minuto, os alunos (todos os alunos) são incentivados a participar e a pensar activamente sobre os vários problemas que vão surgindo. Os próprios problemas surgem de dentro do grupo, não sendo impostos de fora por um professor, manual ou programa, o que ajuda certamente a este comprometimento intelectual geral.

Para terminar a sessão pediu-se aos alunos que procurassem responder à pergunta inicial,
"O que é influenciar?"

Entre as 13 definições destacou-se esta:

Fábio – “Influenciar é conseguir que alguém queira algo. Há uma forma directa e intencional de influenciar (influência persuasiva), e uma forma indirecta e não intencional de influenciar (influência inadvertida).”

No fim da sessão ainda houve vontade para aprofundarmos um pouco o conceito de consciência ("quando fazemos filosofia"). de subconsciência ("quando jogamos playstation de forma quase automática") e de inconsciência ("quando estamos em coma").

Pergunta – “E os computadores, em que estado estão?”
(pergunta surgida a partir da hipótese de os telemóveis falarem e os computadores pensarem).

Vasco – “Os computadores estão acima da inconsciência, pois fazem coisas e interagem com as pessoas, mas abaixo da subconsciência, pois não sabem que fazem coisas.

Pergunta – “Então, em que estado estão?”
(procura de novos conceitos que iluminem a questão)

Joana (12 anos) – “Estão num estado de sub-subconsciência.”

Vasco – “Estão num estado de intra-subconsciência.”


A sessão terminou com o esboçar de uma outra discussão sobre a necessidade de se inventar conceitos quando pensamos nos limites da linguagem e do pensamento, mas a hora de fecho da cantina aproximava-se e os bravos Jovens Filósofos não podiam ficar sem almoço.
Foi desta forma um pouco abrupta, e a deixar água na boca para todas as questões que ficaram por responder, que terminou esta sessão memorável de Filosofia Prática, uma das melhores que tive até hoje.

Objectivos da Sessão

- Encontrar problemas filosóficos gerais em assuntos concretos – Princípio Anagógico (passar de um pensamento particular ao padrão de pensamento de cada um.

- Avançar na investigação de um assunto através de novos conceitos que o clarifiquem, aprofundem e expliquem - Conceitos Operativos

- Compreender o carácter discursivo da filosofia (devido à especificidade dos seus objectos de estudo – arte, generosidade, vontade, beleza, etc.) e o papel dos conceitos enquanto instrumentos primordiais da investigação filosófica. (busca de definições, análise de problemas, etc.)

- Trabalhar as definições e tomar um primeiro contacto com as condições necessárias e suficientes de uma definição bem sucedida.
(para x é necessário que y; para x é suficiente que y).

1 comentário:

Luiza disse...

Brilhante ....mas não inesperado !