Oficina Jovens Filósofos29 de Julho a 24 de Julho
Universidade do Porto / Universidade Júnior Aula 2 (14 alunos)
Graças a esta iniciativa da Universidade do Porto (
Universidade Júnior) até ao fim do mês de Julho vou voltar a ter a oportunidade de fazer filosofia com cerca de 300 alunos, ao ritmo de uma turma de 15 alunos por dia.
Aqui estão
algumas notas que tirei da sessão de hoje:
Exercício: "
Perguntar-se mutuamente"
Descrição: Sobre uma pergunta inicial (Somos livres?; O que nos leva a agir?, etc.) escolhia-se uma resposta/hipótese de um dos alunos. A essa resposta todos os alunos faziam uma nova pergunta. O autor da resposta escolhia uma das perguntas ("
aquela que considerasse mais pertinente") e procurava responder. A partir daqui iniciava-se o debate.
Pergunta inicial: "Somos livres?
(diálogo entre o Daniel de 13 anos, o Gonçalo de 12 e a Sofia de 12)-
"Não sou livre porque mandam em mim." (Daniel)
- "
Tens capacidade para ser livre?"(Gonçalo)
- "
Sim, quando arranjar um emprego serei livre." (Daniel)
- "
Mesmo nessa altura não seremos livres. Tornamo-nos independentes*, mas nunca somos totalmente livres." (Sofia)
*Aqui a Sofia recorreu (sem saber) a uma técnica de investigação filosófica bastante complexa, introduziu na discussão um conceito novo (o conceito de independência) que permitiu analisar melhor as diferentes nuances da questão da liberdadeOutras intervenções:(excertos)- "
Sim, somos livres porque podemos fazer o que nos apetece apesar das consequências" (Simão, 12 anos)
- "
Sim, porque podemos sempre pensar que somos livres." (Diogo, 13 anos)
- "
Não basta pensar para se ser livre. Não sou rica porque penso que sou rica.* (Rita, 13 anos)
* Recurso à analogia como instrumento de investigação filosófica. Ao mesmo tempo está a testar os limites da tese do Diogo.- "
Não, as regras sociais e legais impedem-nos de fazer o que queremos." (Vitor Hugo, 13 anos)
- "
Não somos livres. Nós mesmos somos um obstáculo à nossa liberdade." (João, 12 anos)
- "
Não somos livres porque não conseguimos fazer tudo o que queremos." (Rafael, 13 anos)
Segunda Questão: "Somos livres de dizer o que queremos?"(diálogo entre o Diogo, a Rita e o Joaquim)- "
Não, há ideias que não devemos expressar em público." (Diogo)
- "
Mas, se exprimimos as ideias positivas, por que é que não podemos exprimir as negativas?" (Rita)
- "
Há certas coisas que não devemos dizer porque podemos magoar os outros, e podemos magoar-nos a nós também, perdendo amigos." (Diogo)
- "
Mas mesmo assim podes dizer o que quiseres, por isso és livre para dizer o que pensas. Depois sofres é as consequências..." (Joaquim, 12 anos)
Terceira Questão: "O que nos leva a agir?"(excertos)- "As opiniões dos outros não me influenciam." (Rita A. 12 anos)
- "
Então como é que és influenciada?" (Gonçalo)
Quarta Questão: "Por quê agir bem?"(excertos)- "Não ajudo os outros para ser recompensada." (Rita A.)
-
"Não vês motivos para seres recompensada." (Rafael)
Objectivos deste exercício:
aprofundar perguntas filosóficas;
elaborar ideias;
problematizar;
ouvir os outros;
estabelecer relações lógicas entre perguntas e respostas;
perceber a sua pertinência;
analisar e descobrir conceitos novos;
sintetizar os resultados obtidos.
E o mês ainda está no início...
Sem comentários:
Enviar um comentário