domingo, 16 de setembro de 2012

125º CAFÉ FILOSÓFICO - A MORTE É UMA CERTEZA



Este foi o primeiro Café Filosófico da época 2012/2013 e, por esse motivo, no início tive algum receio de que se sentisse alguma "ferrugem filosófica" por parte dos participantes mas, sobretudo, por parte do moderador (Eu) que nos últimos dois meses estive mais ocupado com puericultura que com filosofia. Entre as fraldas e as cólicas da minha filha Francisca não pude dar tanta atenção a Descartes, Kant ou a Wittgenstein que, com certeza, não se importaram nada com esta minha falta de atenção... mais do que justificada.
De qualquer forma já sentia falta destes encontros filosófico. Cada vez mais sinto que preciso dos outros para pensar. 

Para assegurar algum rigor argumentativo neste período pós-férias escolhi para a sessão de hoje um exercício em que as regras e as intervenções dos participantes se estavam bastante bem balizadas. Para replicar o "jogo dialéctico" socrático pediu-se aos participantes que nas suas intervenções respeitassem a ordem: "Tese - Pergunta - Resposta". Sendo que os participantes da sessão faziam alternadamente o papel de Sócrates e dos seus interlocutores.

A sessão começou com cada participante a pensar num juízo que considerasse uma verdade absoluta.
Entre as várias hipóteses avançadas a escolhida foi a da Filipa, uma caloira dos Cafés Filosóficos:

"A morte é certa." 

De seguida os participantes foram convidados a problematizar esta "verdade absoluta", ou seja, a fazer uma pergunta que lhe levantasse um problema.
Foram avançadas várias propostas e cada uma delas foi analisada pelo grupo no sentido de procurar saber se levantava ou não um problema à tese "A morte é certa." 

De todas as propostas avançadas aquela que o grupo escolheu pelo seu carácter problematizador foi a do Tiago: "Há provas disso?"

Neste momento tínhamos então uma tese inicial - "A morte é certa" - e uma pergunta a essa mesma tese - "Há provas disso?" 

Cabia agora à Filipa responder à questão do Tiago:
"Há provas disso porque as pessoas morrem, ou seja, até hoje sempre morreram.."


Vou deixar o leitor tentar descobrir se há algo de errado com o argumento da Filipa.
"A morte é certa, e a prova disso é que as pessoas morrem, i.e., até hoje sempre morreram."


O que acha deste argumento? Deixe-nos um comentário com a sua opinião.




2 comentários:

alfredo dinis disse...

Parto do pressuposto de que, para simplificar a questão, a tese de que 'a morte é certa' se refere aos seres humanos. Não se conhece até agora qualquer ser humano que não tenha morrido. Daqui não se pode ter como provado que 'no futuro nenhum ser humano escapará à morte'. Naturalmente, que teremos que nos pôr de acordo sobre o que queremos dizer com os termos 'provar' e 'prova'.

Samanta Meneghelli disse...

Que paradoxo verdadeiro , ou seria uma verdade tão mentirosa?o que é a verdade e a mentira?, seria o seres humanos um sistema corrompido?Para dizermos que a morte é uma certeza porque vemos ...mais nem tudo que vemos conhecemos ... é assim , uma experiência que necessita de uma passagem ... o que é uma passagem? aquilo que se vai... e talvez volte ....