quarta-feira, 13 de maio de 2009

Jovens Filósofos - Aula 21

Trabalho a partir do texto: “O Mar e o Caracol” de António Torrado

Estrutura da Aula

1) Resumo
Pediu-se aos alunos que lessem o texto – leitura partilhada – e o resumissem numa frase.

João – “Cada um tem de se contentar com aquilo que tem.”

Luis – “Algumas pessoas podem ter ideias diferentes umas das outras.”

Paulo – “O que sonhamos às vezes acontece na realidade.”

Zé Pedro – “Não devemos parar de seguir os nossos sonhos só porque as pessoas não nos ajudam a conseguí-lo.”

Objectivo deste exercício - Interpretação do texto, síntese das ideias principais.

2) Análise
De seguida é pedido a cada aluno que escolha uma frase com a qual não concorda e que diga por que não concorda com ela.

exemplo:

Zé Pedro – “Não concordo com a frase do João pois a história não fala sobre “quem tem o quê.”

Objectivo deste exercício – Fazer com que os alunos identifiquem em concreto o que está mal nos argumentos dos outros, por oposição à tendência normal de dizer que “não concordo porque não gosto.”

3) Argumentação
É dada a palavra ao aluno cuja frase foi criticada que tem a oportunidade de defender a sua ideia(com argumentos e excertos do texto), ou então de aceitar a crítica e mudar a sua frase.

Objectivo deste exercício – Confrontar os alunos com críticas às suas ideias fazendo-os ver que é, exactamente, uma crítica às suas ideias e não a eles próprios.
Ao poderem mudar as suas frases os alunos sentem que podem ganhar alguma distância em relação às suas opiniões anteriores que não estão “escritas na pedra”.
Procura anular-se desta forma a tendência infantil (e que muitas vezes se mantém pela vida fora) de defender a todo o custo tudo aquilo que dizemos, apenas porque fomos nós que o dissemos.

4) Conceptualização
Identificação em grupo das ideias principais de cada frase e dos conceitos por detrás dessas mesmas frases.

João – “Cada um tem de de se contentar com aquilo que tem.”Conformismo

Luis – “Algumas pessoas podem ter ideias diferentes umas das outras.”Coragem e criatividade.

Paulo – “O que sonhamos às vezes acontece na realidade.” - Fantasia

Zé Pedro – “Não devemos parar de seguir os nossos sonhos só porque as pessoas não nos ajudam a conseguí-lo.”Dependência

Objectivo deste exercício – Incentivar os alunos a conceptualizar os valores pressupostos atrás dos vários argumentos. Fazê-los subir um patamar na forma de abordar a realidade: do particular para o universal. A importância deste tipo de exercícios é enorme, uma vez que este movimento de intelectual de conceptualização é a própria essência do pensamento filosófico.

5) Síntese e confrontação
Regresso ao texto e ligação ao trabalho efectuado nas aulas anteriores através da pergunta:
“O caracol da história é dependente ou independente?”

A resposta a que chegaram por consenso foi:
“O caracol era dependente pois precisava de pedir ajuda aos outros para concretizar os seus objectivos.”

[Nota: Deixou-se uma questão em aberto para os alunos pensarem: em casa:
“Toda a gente que precisa de ajuda para atingir os seus objectivos é dependente?”]


Principais competências exercitadas nesta sessão
- Interpretação e resumo (encontrar as ideias principais de um texto);
- Conceptualização (encontrar os conceitos presentes nos seus argumentos)
- Argumentação (confrontar as suas ideias com as ideias dos outros).

Na próxima aula (Diálogo Socrático) procuraremos uma definição consensual para uma das questões saidas desta sessão: “O que é a independência?”

2 comentários:

Anónimo disse...

Viva,

Sou estagiário de filosofia e aluno da Universidade da Beira Interior. Pensei "usar" a sua sugestão de aula para uma sessão de esclarecimento do que é a filosofia. Esta actividade é destinada aos alunos do 9º ano de escolaridade. Se pudesse gostaria de lhe pedir algumas orientações no tratamento do conto. Fica aqui o meu email: Pdpinho@hotmail.com
Saudações filosóficas!

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Pinho

Tomás disse...

olá Pedro,

dê uma vista de oolho a este meu site. pode ser que o ajude:

http://filosofiacritica.wordpress.com/o-que-e-um-dialogo-socratico/

abraço,
Tomás