quinta-feira, 13 de março de 2014

209º CAFÉ FILOSÓFICO_O QUE É UMA BOA PESSOA?



Todas as primeiras sextas-feiras de cada mês o Café Filosófico no Duas de Letra é moderado pelo nosso amigo Rui Lopes. Desta vez não pude estar presente, mas o Rui enviou-me a transcrição das suas notas pelo que podemos ter uma ideia do que por lá se falou. 


Tomás

Notas de Rui Lopes
Pergunta (por votação): "O que define uma 'boa pessoa'"?
Francisca - (Tentativa de resposta) A capacidade de compaixão, porque isso é que a torna mais facilmente reconhecida pelos outros como 'boa pessoa'.
Rui - (Pergunta) Será que existem 'boas pessoas'? (Hipótese de resposta) Podem não existir.
Carina - (Crítica à pergunta do Rui) É necessário, na mesma, definir 'boa pessoa' para saber se existem.
Francisca - (Outra tentativa de resposta) 'Boa pessoa' é aquela que reconhece em si que pode ser má.
Sebastião - (Tentativa de resposta) A amabilidade, a ajuda e respeito pelos outros, de forma integradora e inclusiva. Uma pessoa altruísta.
Carina - (Pergunta) Podemos definir uma 'boa pessoa' sem incluir valores?
Francisca - (Tentativa de resposta à pergunta da Carina) Não. Temos de recorrer a valores para definir uma 'boa pessoa'.
Sebastião - (Tentativa de resposta à pergunta inicial através de exemplos) Os heróis da História, como Gandhi ou Schindler, são exemplos de 'boas pessoas'.
Tiago - (Tentativa de clarificação) Dentro do conceito de valores devemos distinguir entre 'valores vigentes' é 'valores universais'. Se existem 'boas pessoas', essa avaliação depende de valores universais e não de valores vigentes.
Francisca - (Mais uma tentativa de resposta à pergunta inicial) É uma pessoa bem intencionada, independentemente das consequências.
Tiago - (Tentativa de resposta à pergunta inicial) Toda aquela pessoa que tenta levar a cabo acções Morais com elevado valor. O principal critério será a intenção e o que o indivíduo perspectiva como consequências dessa acção.
Francisca - (Crítica à definição do Tiago) As intenções não são suficientes porque torna possível considerar 'boa pessoa' alguém que comete atrocidades.
Rui - (Sem classificação ) A intenção importa se nos basearmos em valores universais.
Carina - (Pergunta) Como podemos definir 'valores universais'?
Francisca - (Resposta à Carina) Os valores universais definem-se pela regra de ouro - "Faz aos outros aquilo que queres que te façam a ti".
Carina - (Crítica à Francisca) A regra de ouro é problemática, porque cada pessoa pode ter vontades diferentes.
Sebastião - (Pergunta) Será que os grandes ditadores foram/eram boas pessoas em determinados contextos?
Tiago - (Nova tentativa de resposta à pergunta inicial) Avanço uma proposta de valor que concretizo numa máxima : A conciliação optimizada de todos os interesses. Assim, 'boa pessoa' é a que decide levar a cabo a máxima dentro das suas limitações.
Francisca - (Crítica ao Tiago) As limitações podem impedir alguém de ser 'boa pessoa', mesmo que seja possível seguir essa máxima.
Rui - (Pergunta) Independentemente das limitações de uma pessoa, podemos considerá-la 'boa'?
Sebastião - (Tentativa de resposta ao Rui) Todo o ser humano é 'boa pessoa'. (Não conseguiu apontar razões).
Tiago - (Clarificação da sua resposta) Existe uma diferença entre o que se pode fazer - que é limitado - e o que se decide fazer. Uma pessoa é tanto melhor quanto menor for a diferença entre o que decide fazer e o que pode fazer.
Francisca - (Mais uma tentativa de resposta à pergunta inicial) A capacidade de ser compassivo. Aos olhos de quem beneficia de uma boa acção, se for eficaz, não interessa a quantidade do bem feito.
Tiago - (Crítica à Francisca) Parece-me haver uma contradicção, ao caber à pessoa beneficiada pela acção - em vez da pessoa compassiva - o juízo da capacidade para seguimento da máxima.
Francisca - (Exemplo) O Bill Gates é uma 'boa pessoa' até certo ponto. Trata-se de uma questão de grau.
Sebastião - (Nova tentativa de resposta à pergunta inicial) Aquela que tenta optimizar o meio em que se insere.
Carina - (Pergunta relativa à afirmação de que 'todo o ser humano é 'boa pessoa') A afirmação refere-se a 'ser humano' pensando em valores humanitários ou bondade inata do ser humano?
Sebastião - (Hipótese para problematização das respostas adiantadas) Pode haver pessoas que cometeram atrocidades e, por isso, consideradas 'más pessoas', mas que acabaram por ter efeitos históricos positivos / pedagógicos.
Francisca - (Hipótese) Em potência somos todos boas pessoas. Mas as circunstâncias potenciam ou impedem a concretização.
Tiago - (Crítica à hipótese da Francisca) Em potência somos todos más pessoas pelas mesmas razões.
Francisca - (Resposta à crítica do Tiago) Concordo, porque vemos nas crianças, eventualmente, tendência para a maldade. É o ambiente e a biologia que determinam uma 'boa pessoa'.
Rui - (Crítica à intervenção da Francisca, problematizando-a) Isso tira poder de decisão ao indivíduo. As pessoas podem não querer ser boas.
Tiago - (Hipótese) A adopção de uma ética pode ter causas diferentes.
FIM DO DIÁLOGO 

2 comentários:

Anónimo disse...

... mas, afinal, o que é uma boa pessoa?!

Anónimo disse...

Acho que só podemos conceituar a bondade. A pessoa representa o papel de sí mesma, hora pode ser boa, hora má, pois nossas decisões e os efeitos de nossas ações não são lineares e nem sempre previstas por nós mesmos.